J Transcat Intervent.2019;27:eA201828.
Oclusão crônica: conquistando a última fronteira da intervenção coronária percutânea
DOI: 10.31160/JOTCI2019A201828
Historicamente, oclusões crônicas (OC) têm sido o subgrupo de lesões mais difíceis de serem tratadas por técnicas percutâneas, sendo um dos principais preditores de necessidade de cirurgia de revascularização miocárdica, revascularização incompleta e baixas taxas de sucesso nas tentativas de recanalização percutânea, tendo sido inclusive apontada como um dos fatores associados à maior mortalidade em pacientes com infarto do miocárdio com ou sem supradesnivelamento do segmento ST. Existem muitos obstáculos na tentativa de recanalização do vaso-alvo neste subgrupo de pacientes, porém várias dessas barreiras históricas foram superadas pelo avanço da tecnologia, com o desenvolvimento de novos dispositivos e materiais, e de novas técnicas anterógradas de dissecção e reentrada, assim como maior adoção de técnicas retrógradas e, por fim, com o uso do algoritmo híbrido. Tais fatores elevaram o sucesso do procedimento para taxas superiores a 90% nesse tipo de lesão.
As OC correspondem a aproximadamente 15 a 20% dos casos encontrados durante cinecoronariografias, com alto índice de encaminhamento para cirurgia de revascularização miocárdica. Desse total, menos de 5% são indicadas para tratamento percutâneo. Avaliando estudos retrospectivos e registros, percebemos que, em pacientes selecionados, existem evidências de tratamento direcionado ao alívio dos sintomas, melhora da qualidade de vida, melhora da função ventricular esquerda, benefício em termos de mortalidade, melhora da carga isquêmica após revascularização e tolerância aumentada a eventos isquêmicos futuros. Atualmente, temos o estudo randomizado Euro CTO, publicado em 2018, que definitivamente demonstrou melhora nos sintomas e na qualidade de vida deste grupo de pacientes. No mesmo ano, o estudo DECISION foi divulgado com resultados negativos, mostrando não existir diferenças entre tratamento clínico otimizado e recanalização de OC, porém críticas em sua metodologia apontaram falta de poder estatístico suficiente e grande quantidade de crossing over (pacientes do braço tratamento clínico que migraram para o grupo intervenção), além do encerramento precoce do estudo, pela dificuldade no recrutamento de pacientes, uma vez que o objetivo inicial seria a inclusão de 1.284 pacientes, tendo sido incluídos somente 834 pacientes.
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