J Transcat Intervent.2020;28:eA202006.
Otimizando a realização de coronariografias no Brasil: um legado da era COVID-19
DOI: 10.31160/JOTCI202028A202006
No momento da elaboração deste editorial, uma nova realidade está em construção na medicina mundial. A pandemia associada ao coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2) continua a avançar, impondo um ônus sem precedentes em diversos sistemas de saúde pelo mundo. No Brasil, a escassez de recursos e o risco de contaminação são preocupações diárias de gestores e profissionais de saúde, colocando o uso racional de exames diagnósticos e intervenções terapêuticas como medidas prioritárias em todas as especialidades médicas nos setores público e privado. Neste contexto, torna-se imprescindível que as indicações de procedimentos invasivos, que poderiam expor tanto o profissional quanto o paciente ao risco de contaminação pelo SARS-CoV-2, sejam precisas. Conter a pandemia e evitar o colapso do Sistema Único de Saúde (SUS) são primordiais.
Embora a coronariografia seja um exame com complicações conhecidas e potencialmente graves, o cenário vigente exige que a seleção de pacientes seja ainda mais rigorosa., Sociedades de cardiologia mundialmente reconhecidas elaboraram diretrizes direcionadas à redução do risco potencial de transmissão durante o procedimento, mas certamente a prevenção já começa em sua indicação. Conhecer os preditores de exames sem doença coronariana (DC) obstrutiva é essencial para a implementação dessa estratégia, deixando ainda um valioso legado para a era pós-pandemia. Atualmente, o American College of Cardiology (ACC) reconhece que a prevalência de exames normais encontrada na literatura é ampla justamente por depender de uma série de variáveis clínicas. Ainda, os melhores resultados continuam na faixa de 20% – um valor distante do ideal no âmbito da pandemia atual.
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