J Transcat Intervent.2023;31:eA20230002.
Efeito da nitroglicerina no espasmo e na oclusão da artéria radial em cateterismos transradiais realizados em mulheres
DOI: 10.31160/JOTCI202331A20230002
RESUMO
Introdução
O benefício do cateterismo transradial já foi confirmado em pacientes do sexo feminino. Mulheres submetidas a exames por cateterismo transradial apresentam desafios únicos. A ocorrência de espasmo e oclusão da artéria radial após o procedimento é maior em mulheres. Objetivamos avaliar o benefício da nitroglicerina na redução de espasmo e oclusão da artéria radial em mulheres submetidas a cateterismo transradial.
Métodos
Estudo multicêntrico, prospectivo, randomizado 2×2 fatorial, duplo-cego. Participantes foram randomizados para nitroglicerina 500mcg ou placebo em dois momentos: após colocação do introdutor hemostático e antes da retirada. A avaliação de espasmo da artéria radial foi clínica, por meio de escala dor. A avaliação da oclusão da artéria radial foi realizada com Doppler, nas primeiras 12 horas.
Resultados
Foram incluídos 2.040 pacientes, sendo 774 (37,5%) mulheres. A média de idade foi similar entre os sexos (62,2 anos versus 61,5 anos; p=0,27). A incidência de espasmo da artéria radial foi maior nas mulheres (21,2% versus 6,6%; p<0,01), bem como a incidência de oclusão da artéria radial (3,4% versus 1,8%; p=0,03). O uso da nitroglicerina no início do procedimento não reduziu a incidência de espasmo da artéria radial em mulheres quando comparado com o placebo (19,7% versus 22,6%; p=0,34), tampouco as taxas de oclusão da artéria radial (4,3% versus 2,5%; p=0,17). O uso da nitroglicerina ao fim do procedimento não reduziu a incidência de oclusão da artéria em mulheres (2,8% versus 3,9%; p=0,37).
Conclusões
O espasmo e a oclusão da artéria radial são mais frequentes em mulheres submetidas a cateterismo transradial quando comparadas aos homens. O uso da nitroglicerina não apresenta efeito benéfico na redução dessas incidências.
Palavras-chave: Artéria radial; Arteriopatias oclusivas; Cateterismo cardíaco; Espasmo; Nitroglicerina; Vasodilatadores
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Já não uso agentes espasmolíticos no acesso Radial há muitos anos e não observei nenhuma diferença clinica, com redução de custo do exame.
Dr. João, foi o que observávamos também. Em nosso centro reservamos o uso de vasodilatador para resgate em casos com espasmo. Por isso conduzimos o estudo randomizado comparativo, inclusive avaliando em mulheres, que apresentam mais espasmos. E nosso estudo não demonstrou diferença no espasmo com uso profilático de vasodilatador, podendo então ser abolido, colaborando com a redução de custos sem comprometer o exame.