Rev. Bras. Cardiol. Invasiva.2017;25(1-4):2-6.

Adequação das indicações de coronariografia eletiva para o diagnóstico de doença arterial coronária no sistema público de saúde brasileiro

Paula Thaís B. Elias, Priscila B. Barbosa, Viviane S. J. Santos, Daniel P. Cruz, Robert Willian A. Alcântara, Filippe Augusto V. Silva, Pedro Henrique A. Libório, Ivan F. Freitas, Carlos Augusto F. Arêas, Bruno R. Nascimento

DOI: 10.31160/JOTCI2017;25(1-4)A0002

RESUMO

Introdução:

O diagnóstico da doença aterosclerótica coronária é desafiador pela grande variabilidade de apresentações clínicas e requer cautelosa decisão entre estratificação invasiva ou conservadora. Objetivamos avaliar a adequação das indicações de coronariografia em pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com base nas diretrizes de doença coronária estável.

Métodos:

Foram avaliados pacientes consecutivos submetidos à coronariografia entre março de 2014 e novembro de 2015. Por meio da apresentação clínica e de testes funcionais realizados, definiu-se a classe de indicação. Em avaliação quantitativa, consideraram-se significativas obstrução luminal ≥ 50% e < 70%, e graves aquelas ≥ 70%.

Resultados:

Foram incluídos 250 pacientes, com média de idade de 61,2 anos e 52% do sexo masculino. Destes, 35,2% tinham angina classe II-IV. Teste ergométrico ou cintilografia miocárdica com critérios de alto risco estavam presentes em 22% e 10,8% da amostra, respectivamente. Dentre os pacientes, 61,2% não apresentavam coronariopatia significativa. Ainda, 60,8% tinham indicação classe I ou IIa para coronariografia e 19,2%, indicação classe III. Entre os primeiros, 44,7% eram portadores de coronariopatia significativa ou grave vs. 29,6% daqueles com indicação IIb ou III (p = 0,01). Indicação classe I ou IIa associou-se de forma independente com a presença de doença aterosclerótica coronária (OR = 1,91; IC 95% 1,02-3,56; p = 0,04).

Conclusões:

A adequação das indicações de coronariografia eletiva foi apenas moderada, e a prevalência de coronariopatia nos grupos com indicação classe I ou IIa foi baixa. As dificuldades em relação à avaliação clínica e à interpretação adequada dos testes funcionais podem figurar entre as causas destes achados.

Adequação das indicações de coronariografia eletiva para o diagnóstico de doença arterial coronária no sistema público de saúde brasileiro

Comentários