J Transcat Intervent.2023;31:eA20220017.

Dissecção espontânea da artéria coronária, uma doença multifatorial: perspectivas da experiência de um centro

Cátia Costa Oliveira ORCID logo , Natália Vasconcelos ORCID logo , Glória Abreu ORCID logo , Carlos Galvão Braga ORCID logo , João Costa ORCID logo , Jorge Marques ORCID logo

DOI: 10.31160/JOTCI202331A20220017

RESUMO

Introdução

Embora seja uma doença pouco conhecida, a dissecção espontânea da artéria coronária é uma causa importante e frequentemente subdiagnosticada da síndrome coronariana aguda não aterosclerótica, principalmente em mulheres. O objetivo deste estudo foi caracterizar uma amostra consecutiva de pacientes diagnosticados com dissecção espontânea da artéria coronária quanto a fatores predisponentes e desencadeadores; quadro clínico e angiográfico; abordagem terapêutica; ocorrência de eventos cardíacos adversos; recorrência e dissecção espontânea de artéria coronária de novo .

Métodos

Estudo retrospectivo observacional longitudinal, unicêntrico, que incluiu pacientes diagnosticados com dissecção espontânea da artéria coronária (n=60) admitidos entre janeiro de 2010 e dezembro de 2020.

Resultados

A mediana da idade foi de 55 anos, e 83% eram mulheres. A maioria dos pacientes (60%) não apresentava nenhum ou tinha apenas um fator de risco cardiovascular. O infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST foi o quadro clínico em 67% dos casos. A artéria coronária mais frequentemente envolvida foi a descendente anterior (47%). A maioria das lesões (77%) aparecia na angiografia como dissecção espontânea da artéria coronária tipo 2. O tratamento conservador foi selecionado como abordagem inicial na maioria dos pacientes (72%). A incidência geral de dissecção espontânea da artéria coronária de novo não foi significativamente diferente entre os pacientes tratados primeiramente com revascularização, em comparação com os que receberam tratamento conservador (p=0,953). No entanto, a recidiva da dissecção espontânea da artéria coronária ocorreu no vaso originalmente envolvido em 3 dos 15 pacientes tratados com revascularização, em comparação com apenas um entre os 43 pacientes que foram tratados de forma conservadora (p<0,05).

Conclusão

A dissecção espontânea da artéria coronária é mais frequente em mulheres jovens. O infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST foi o quadro clínico mais observado, envolvendo principalmente a artéria descendente anterior. A revascularização não protegeu da recorrência.

Dissecção espontânea da artéria coronária, uma doença multifatorial: perspectivas da experiência de um centro

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