J Transcat Intervent.2019;27:eA201819.
Evolução temporal e resultados de intervenção coronária percutânea em pacientes jovens (≤40 anos)
DOI: 10.31160/JOTCI201927A201819
RESUMO
Introdução
A prevalência de doença arterial coronária e da intervenção coronária percutânea em pacientes jovens não é muito bem estabelecida. O objetivo deste estudo foi analisar o perfil dos pacientes jovens submetidos à intervenção coronária percutânea no Brasil.
Métodos
Estudo transversal realizado com dados do registro da Central Nacional de Intervenções Cardiovasculares (CENIC) coletados entre 2006 e 2016 de pacientes com idade ≤40 anos submetidos à intervenção coronária percutânea.
Resultados
Foram incluídos 2.806 pacientes com média de idade de 35,3±3,9 anos. À angiografia, a maior parte foi de lesões uniarteriais (66,6%), localizadas na artéria descendente anterior (50,8%) e complexas (68%). Referente aos procedimentos, houve diferença ao longo dos anos na utilização dos stents farmacológicos (p<0,0001), no diâmetro do vaso (p=0,015), no comprimento dos stents (p<0,0001), no tipo de intervenção (p=0,036), no uso de inibidores de glicoproteína IIbIIIa (p<0,0001), na tromboaspiração (p=0,0003), no fluxo TIMI pós-procedimento (p=0,007) e na estenose pós-procedimento (p<0,001). Em relação aos desfechos clínicos na fase hospitalar, não houve diferença significativa entre os períodos. Na análise multivariada, sexo feminino (RC: 3,45; IC95% 1,25-9,5; p=0,016), hipertensão arterial sistêmica (RC: 4,84; IC95% 1,34-17,52; p=0,016), revascularização miocárdica cirúrgica prévia (RC: 16,42; IC95% 1,62-166,45; p=0,018), intervenção coronária percutânea primária (RC: 25,67; IC95% 5,19-126,99; p=0,0001) e intervenção coronária percutânea de resgate (RC 26,44; IC95% 2,11-330,82; p=0,011) foram preditores independentes de mortalidade intra-hospitalar.
Conclusão
A intervenção coronária percutânea em pacientes jovens, no registro CENIC, identificou casos com alto grau de complexidade angiográfica, altas taxas de sucesso e baixas taxas de complicações intra-hospitalares ao longo de 10 anos.
Palavras-chave: Adulto jovem; Angioplastia; Doença da artéria coronariana; Isquemia miocárdica; Resultado do tratamento
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