J Transcat Intervent.2018;26(1-2):eA0007.

Intervenção coronária percutânea de resgate: análise de um registro brasileiro

Júlio Cesar Schulz, Guy Fernando de Almeida Prado, Charles Luiz Vieira, Siegmar Starke, Humberto Bolognani Tridapalli, Marisete de Fatima de Almeida, Marcelo José de Carvalho Cantarelli

DOI: 10.31160/JOTCI2018;26(1)A0007

RESUMO

Introdução

A intervenção coronária percutânea de resgate é indicada no insucesso da fibrinólise em pacientes com infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST. Objetivamos delinear o perfil de pacientes brasileiros neste contexto, assim como os desfechos hospitalares.

Métodos

Foram coletados, prospectivamente, dados de 1.334 pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea de resgate registrados na base Central Nacional de Intervenções Cardiovasculares (CENIC). Dividimos os pacientes em três tercis de tempo: 2006-2008, 2009-2011 e 2012-2016. O desfecho primário combinado foi a taxa de eventos cardíacos adversos maiores: morte, infarto agudo do miocárdio ou revascularização miocárdica de emergência.

Resultados

Dos 1.334 pacientes, 71,1% eram do sexo masculino, com média de idade de 59,7±11,8 anos. Ao longo dos tercis, evidenciaram-se redução na prevalência de hipertensão (p=0,0006), dislipidemia (p=0,01) e diabetes melito (p=0,02), e aumento na apresentação clínica em Killip 1 (p<0,0001). Quanto às características angiográficas e do procedimento, houve diminuição progressiva de lesões trombóticas (p<0,0001), oclusões (p=0,003) e uso de inibidores de glicoproteína IIb/IIIa (p>0,0001). Observou-se, ainda, incremento no uso de stents farmacológicos (p<0,0001), assim como no sucesso do procedimento (p=0,03). A taxa de eventos cardíacos adversos maiores foi baixa, com tendência à redução no último tercil (5,2% vs. 6,3% vs. 2,2%; p=0,06). No total, as taxas de infarto agudo do miocárdio e óbito foram de 1,1% e 4,3%, respectivamente.

Conclusões

A baixa taxa de eventos cardíacos adversos maiores atestou a eficácia e a segurança da intervenção coronária percutânea de resgate no Brasil. A melhora contemporânea dos indicadores pode estar associada a mudanças no perfil clínico, melhoria dos dispositivos e adoção de protocolos de atendimento.

Intervenção coronária percutânea de resgate: análise de um registro brasileiro

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