Rev. Bras. Cardiol. Invasiva.2017;25(1-4):36-41.
Intervenção coronária percutânea em pacientes multiarteriais no Brasil
DOI: 10.31160/JOTCI2017;25(1-4)A0009
RESUMO
Introdução:
A intervenção coronária percutânea (ICP) em pacientes multiarteriais está associada a menores taxas de sucesso e à maior incidência de complicações. Os resultados deste tratamento no Brasil são pouco conhecidos. O objetivo deste trabalho foi analisar as ICP realizadas em pacientes multiarteriais reportadas ao registro CENIC.
Métodos:
Foram analisadas as fichas eletrônicas completas de procedimentos efetivados em pacientes multiarteriais no período de 2006 a 2016.
Resultados:
Foram submetidas ao registro CENIC 191.127 ICP no período estudado, das quais 80.093 (45,3%) classificadas como de múltiplos vasos. Os pacientes eram predominantemente do sexo masculino (67,5%), portadores de doença estável (49,6%) e comprometimento biarterial (65%). Lesões tipo B2/C corresponderam a 70,8% dos casos, com média de 1,6 vaso tratado por paciente e 1,7 stent implantado por procedimento, sendo 71,6% stents não farmacológicos. A taxa de sucesso foi de 96%. Durante a fase hospitalar, a ocorrência de eventos cardiovasculares adversos maiores foi de 1,5%, sendo o óbito a complicação mais frequente (1,2%). Os fatores preditores independentes de óbito foram idade, sexo, diabetes melito, infarto prévio, extensão da doença coronária, uso de inibidores de glicoproteína IIb/IIIa, síndrome coronariana aguda, intervenções emergenciais e procedimentos efetivados no triênio 2006-2008.
Conclusões:
A intervenção coronária percutânea multiarterial possui elevado porcentual de sucesso e pequena taxa de complicações hospitalares. A identificação de características associadas a pior prognóstico pode ser útil na estratificação e na seleção da estratégia de tratamento mais adequada.
Palavras-chave: Intervenção coronária percutânea; Revascularização miocárdica; Stents
506