J Transcat Intervent.2021;29:eA202106.
Monoterapia com inibidores dos receptores P2Y12 em pacientes tratados por meio de intervenção coronária percutânea
DOI: 10.31160/JOTCI202129A202106
RESUMO
Desde meados da década de 1990, o esquema antiplaquetário duplo, constituído pela associação entre ácido acetilsalicílico e um inibidor dos receptores plaquetários P2Y12, constitui o cerne da prevenção das tromboses após implantes de stents coronários, independentemente dos modelos utilizados, sendo também utilizado para prevenir a ocorrência de eventos aterotrombóticos na fase tardia após a intervenção. A forma clínica de apresentação da coronariopatia influencia na duração da dupla terapia, que tende a ser mais prolongada nos casos tratados na vigência de uma síndrome coronária aguda (em geral, 1 ano), quando comparada a casos de doença coronária crônica (comumente até 6 meses). Finalizado esse período, geralmente descontinua-se o inibidor P2Y12, e mantém-se a monoterapia com aspirina. No entanto, nas duas últimas décadas, também foi observado que o uso prolongado de dois antiplaquetários associados predispõe os casos tratados às complicações hemorrágicas, com consequências potencialmente graves – inclusive o aumento da mortalidade. Dessa forma, têm sido consideradas e avaliadas alternativas que minimizem esse risco, como a interrupção precoce do ácido acetilsalicílico (entre 1 e 3 meses após a alta), constituindo a chamada monoterapia com inibidores P2Y12, opção que visaria à redução das hemorragias, sem comprometer a prevenção de eventos isquêmicos. Na última década, uma série de ensaios clínicos randomizados avaliou essa hipótese, em geral com resultado de redução das complicações hemorrágicas, embora não necessariamente das classificadas como maiores, sem aumento significante dos eventos cardiovasculares mais relevantes. Esta revisão discute os principais resultados aferidos nestes ensaios clínicos e sua potencial implicação clínica na prática rotineira do cardiologista.
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