J Transcat Intervent.2018;26(1-2):eA0017.
Uso de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa na intervenção coronária percutânea primária: experiência de 10 anos no Brasil
DOI: 10.31160/JOTCI2018;26(2)A0017
RESUMO
Introdução
O uso individualizado dos inibidores da glicoproteína IIb/IIIa durante a intervenção coronária percutânea primária, em cenários com alta carga trombótica ou ocorrência de alterações de fluxo coronariano, pode ser considerado, apesar da escassez de evidências científicas. Nosso objetivo foi comparar pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea primária que receberam ou não inibidores da glicoproteína IIb/IIIa durante o procedimento.
Métodos
Estudo multicêntrico nacional, retrospectivo, que incluiu pacientes consecutivos submetidos à intervenção coronária percutânea primária, tratados ou não com inibidores da glicoproteína IIb/IIIa, no período de junho de 2006 a março 2016, sendo utilizado o banco de dados da Central Nacional de Intervenções Cardiovasculares (CENIC).
Resultados
Foram incluídos 18.690 pacientes, dos quais 3.032 (16,2%) receberam inibidores da glicoproteína IIb/IIIa. A média de idade foi de 61,5±12,4 anos, sendo 69,5% do sexo masculino e 19,9% portadores de diabetes melito. No grupo que recebeu inibidores da glicoproteína IIb/IIIa, constatou-se maior prevalência de lesões longas, trombóticas, envolvendo bifurcações, oclusões ou fluxo TIMI <2. Esse grupo mostrou maior mortalidade (3,7% vs. 4,8%; p=0,0046), reinfarto (0,5% vs. 1,1%; p<0,0001) e eventos cardíacos adversos maiores (4,0% vs. 5,7%; p<0,0001). Na análise univariada, o uso de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa associou-se a maior chance de óbito (RC 1,31; IC95%: 1,09-1,58; p=0,0048), mas não se confirmou como preditor independente na análise multivariada.
Conclusão
Entre pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea primária, o uso de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa caracteriza um grupo de maior gravidade clínica, complexidade anatômica e pior evolução hospitalar.
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