J Transcat Intervent.2019;27:eA201812.
Intervenção coronária percutânea em lesões de bifurcações: preditores independentes de óbito hospitalar
DOI: 10.31160/JOTCI2019;27A201812
RESUMO
Introdução
Lesões em bifurcações continuam sendo um desafio e pouco se sabe das características e dos resultados da intervenção coronária percutânea ao longo da última década com a utilização crescente dos stents farmacológicos. O objetivo deste estudo foi identificar o perfil do paciente e os desfechos hospitalares, bem como os preditores independentes de morte hospitalar, ao longo do tempo.
Métodos
Estudo observacional, retrospectivo que avaliou pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea em bifurcações entre 2006 e 2016. Os pacientes foram divididos em três grupos: 2006-2008 (Grupo 1), 2009-2011 (Grupo 2) e 2012-2016 (Grupo 3). A análise de regressão logística múltipla buscou identificar preditores independentes de óbito hospitalar.
Resultados
Foram incluídos 36.608 pacientes, sendo que pacientes do Grupo 3 eram mais idosos, com maior número de comorbidades, quadros clínicos mais estáveis e lesões tratadas com stents de menor calibre e mais longos. O sucesso do procedimento foi maior (96,1% vs. 97,4% vs. 98,1%; p<0,0001) e a mortalidade menor (1,2% vs. 0,7% vs. 0,6%; p<0,0001) no grupo tratado mais recentemente. Na análise de regressão logística múltipla, sexo feminino, lesões envolvendo tronco de coronária esquerda, intervenção coronária percutânea primária, intervenção coronária percutânea de resgate, procedimentos efetivados entre 2006-2008 e uso de inibidores de glicoproteína IIb/IIIa foram variáveis independentemente associadas à mortalidade hospitalar.
Conclusão
Sexo feminino, quadro clínico agudo, intervenção coronária percutânea em caráter emergencial e maior complexidade anatômica estiveram associados à mortalidade hospitalar em pacientes submetidos ao tratamento de bifurcações coronárias. Avanços no tratamento contemporâneo possivelmente contribuíram para a melhora evolutiva nesse perfil de pacientes.
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