J Transcat Intervent.2021;29:eA20210016.
Intervenção percutânea no tronco da coronária esquerda em doença coronariana aguda e crônica. Experiência de um centro
DOI: 10.31160/JOTCI202129A20210016
RESUMO
Introdução
Avanços na intervenção coronária percutânea reduziram as complicações no tratamento de lesão do tronco da coronária esquerda. O objetivo deste estudo foi caracterizar os procedimentos de intervenção coronária percutânea no tronco da coronária esquerda e avaliar os desfechos dos pacientes.
Métodos
Estudo retrospectivo realizado de janeiro de 2015 a dezembro de 2018 em pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea no tronco da coronária esquerda por doença arterial coronariana estável ou infarto agudo do miocárdio com stents farmacológicos de segunda geração.
Resultados
Foram submetidos à intervenção coronária percutânea no tronco da coronária esquerda 82 pacientes. Destes, 26,8% tinham doença arterial coronariana estável, 50% apresentaram infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST, e 23,2% tiveram infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST. Choque cardiogênico estava presente em 20,7%. A maioria era do sexo masculino, idosa e com fatores de risco cardiovasculares (diabetes, hipertensão e hiperlipidemia). Entre os pacientes com doença arterial coronariana estável, o escore SYNTAX era baixo a intermediário. Durante a internação, os pacientes não apresentaram intercorrências. No seguimento, 4,5% (n=1) tiveram morte cardiovascular. Em relação ao infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST, não houve registros de eventos durante a internação. Durante o acompanhamento, 9,1% dos pacientes foram hospitalizados devido a doenças cardiovasculares. Um paciente foi a óbito (3%) durante a reinternação devido à insuficiência cardíaca grave. Em relação aos pacientes com infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST, ocorreu um caso de trombose aguda do stent durante a internação, resultando em óbito. Um paciente foi readmitido para intervenção coronária percutânea no tronco da coronária esquerda devido à reestenose. Em relação aos pacientes admitidos em choque cardiogênico, a mortalidade intra-hospitalar foi de 58,8%. Durante o seguimento, dois pacientes apresentaram reestenose e foram hospitalizados (um foi submetido à revascularização do miocárdio e o outro à intervenção coronária percutânea).
Conclusão
Este é um estudo do mundo real em que foi descrita a experiência com intervenção coronária percutânea no tronco da coronária esquerda. Em pacientes com doença estável ou doença instável sem choque cardiogênico, a intervenção mostrou-se um procedimento seguro. São necessários mais estudos com seguimento prolongado.
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