J Transcat Intervent.2019;27:eA201905.

O que os olhos não veem, os escores não predizem!

Rafael Alexandre Meneguz-Moreno ORCID logo , José de Ribamar Costa Júnior

DOI: 10.31160/JOTCI201927A201905

A tentativa de identificar pacientes mais propensos à ocorrência de eventos, relacionados ou não às intervenções, é uma busca de longa data, que precede a era dos cateteres. , Em 1977, por exemplo, definiram-se alguns dos mais importantes preditores de eventos adversos relacionados à doença arterial coronariana (DAC), como número de artérias ou territórios coronários comprometidos e quantidade de miocárdio em risco. Demonstrou-se que a habilidade prognóstica dessas variáveis aumentava à medida que outras foram sendo integradas, como, por exemplo, o grau de obstrução coronária. Nesta ocasião, surgia o escore Duke Jeopardy, validado em 1985.

A percepção de que as associações de variáveis poderiam aumentar a capacidade de predição de eventos maiores, em decorrência de efeito aditivo, foi, aos poucos, fortalecendo-se. As diretrizes clínicas atuais da European Society of Cardiology (ESC), do American College of Cardiology (ACC) e da American Heart Association (AHA) recomendam o uso dos escores de risco Global Registry of Acute Coronary Events (GRACE) ou Thrombolysis in Myocardial Infarction (TIMI), para estratificação individual dos pacientes, sendo o GRACE validado para todas as apresentações da síndrome coronariana aguda (SCA), quer seja com ou sem supradesnivelamento do segmento ST. Diversos estudos mostraram que o GRACE tem melhor capacidade de discriminar indivíduos de maior risco clínico, , mas nenhum dos dois foi destinado e/ou validado para predizer a extensão e a gravidade da DAC, antes da realização da estratificação invasiva, por meio da cinecoronariografia.

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O que os olhos não veem, os escores não predizem!

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